6.7.08

Fatos da FLIP


O tcheco Tom Stoppard, um dos mais importantes dramaturgos, se apresentou na mesa de número 15 mediada por ninguém menos que Luís Fernando Verissimo. Stoppard é a sensação da FLIP e tinha tudo para fazer um excelente papo.

Tenda lotada, imprensa em peso, todos esperando o grande momento do sábado, e, talvez, dessa edição da FLIP. Eis que surgem Verissimo e Stoppard. Depois de uma breve apresentação de Verissimo, Stoppard começou a falar. A partir daí estava traçado o rumo daquela mesa: seria ele e mais ninguém.

Isso por um lado é bom, pois ouvir o que Stoppard tem a dizer é sempre bom, mas é ruim também porque a mesa fica sem rumo, deixa de ser um bate papo para ser um monólogo. E o tema principal foi a intelectualidade do teatro e cinema.

Confesso que me decepcionei bastante com Stoppard. Tudo bem que Verissimo não é dos melhores entrevistadores (apesar de eu amar Verissimo), mas Stoppard foge totalmente das perguntas.

Para se ter uma idéia, eu anoto a síntese das perguntas e respostas durante as mesas e depois escrevo o texto me baseando mais ou menos nelas. Então, fiz a seguinte anotação:
“Pergunta: Todos sabem que você gosta de cricket, mas você jogaria futebol?
Resposta: Conservador”
Pois é, uma coisa não tem nada a ver com a outra.

Não gosto quando o entrevistado responde uma coisa totalmente diferente do que lhe foi perguntado. Acho que é porque gosto de fazer as anotações em perguntas e respostas, e quando se pergunta uma coisa e se responde outra a coisa fica totalmente fora de sentido.

Das anotações que consegui fazer, salvaram-se algumas informações. Stoppard disse que não tem lembrança de falar tcheco, pois quando seu pai morreu (na guerra) ele foi com a mãe para Singapura, depois Índia e finalmente para a Inglaterra onde sua mãe se casou com um oficial inglês (de sobrenome Stoppard). E desde os oito anos ele fala inglês.

A platéia perguntou por que Stoppard dirigiu apenas um filme. Ele respondeu: “Não sou diretor e não quero produzir filme. No caso desse único filme, eu fiz uma lista de 20 autores para dirigirem o filme, mas não conseguia decidir porque um teria mais capacidade do que o outro. Então resolvi eu mesmo dirigir o filme em que eu era o autor. Mas também foi porque não tivemos fundos para contratar um diretor. Ficou mais barato. E também me pareceu sexy dirigir o filme em que eu mesmo era o autor. Porém não gosto de dirigir. Não gosto da responsabilidade de dirigir o filme, gosto de reagir a um filme.”

Stoppard disse que não tem nenhum projeto para o teatro agora. Contou que não quer sentir aquela obrigação de ter que escrever uma peça. “Nem tudo pode virar uma peça, não é à toa que demoro 4 anos para finalizar uma.”

Quando perguntado sobre sua vida pessoal, Stoppard (72 anos) contou que tem quatro netos e dois filhos (um deles é ator e fez Hamlet no teatro). E disse que sempre se lembra de uma dedicatória de um livro quando o assunto é filho: “Para minha filha Leonora, sem a qual esse livro teria sido escrito na metade do tempo.”

Foi um papo super cabeça, mas sem rumo e sem graça. Acho que a intenção dele foi dar uma aula de dramaturgia. Talvez tenha conseguido, eu é que não consegui prestar atenção no que ele falou. Eu e um bocado de gente, que saiu no meio do bate papo.