30.7.09

Estudante ganha concurso de crítica de cinema

Aluno da PUC-Rio,Victor Fiuza integrará o Júri Popular do Festival de Cinema de Gramado.

“As minhas veias são ‘um rolo de filme’”. É assim que Victor Fiuza descreve a importância do cinema para ele. Victor, 19 anos, estudante de cinema da PUC-Rio, está no terceiro período e é o mais novo integrante do Júri Popular do Festival de Cinema de Gramado.

A colunista Heloisa Tolipan, do Jornal do Brasil, promoveu o concurso Quer ser jurado em Gramado?, onde o participante deveria escrever uma crítica sobre um filme que já tivesse participado de alguma edição do festival. Com um texto sobre o longa Deserto Feliz, Victor estará em Gramado entre os dias 9 e 15 de agosto.

Seu contato com cinema é através dos curta-metragens em que trabalha com amigos da PUC. Para o estudante, a surpresa com o resultado foi grande.

- É incrível, a ficha ainda não caiu. Só quem faz Cinema entende tudo que o Festival de Gramado representa.

O jovem conta que escolheu Deserto Feliz por representar um cinema nordestino bastante regionalista, mas ao mesmo tempo nacionalista.

- Este filme é um dos maiores exemplos desse Cinema, e também um dos meus favoritos.

Um pequeno engano deixou a premiação mais emocionante, especialmente para Victor. Quando foi divulgado o resultado do concurso, uma crítica sobre um filme que não tinha participado do festival havia ganho. Porém, logo que o erro foi esclarecido, foi anunciada a vitória do estudante.

Victor diz ter muita expectativa quanto à participação no Júri Popular e espera “estar à altura”. Independente de estar à altura, ele está nas alturas, quase literalmente: serão seus primeiros passos fora do Rio e a primeira vez que andará de avião.

Para essa matéria, Victor concedeu uma entrevista por e-mail e nela fez questão de tratar cinema com letra maiúscula; é de maneira respeitosa e com muita admiração que o jovem pretende estender o rolo de filme de suas veias.
(leia a matéria no Portal da PUC) - foto: Divulgação

28.7.09

Prefeitura conserta buracos em frente à PUC

Há um mês, Avenida Padre Leonel Franca precisava de reforma devido à grande quantidade de buracos.

Famosos por andar sempre em alta velocidade, os motoristas de ônibus que fazem ponto final em frente a uma das entradas da PUC, na Avenida Leonel Franca, têm que reduzir a velocidade a quase zero quando chegam ao terminal. O motivo? Buracos enormes na rua. Depois das reclamações de moradores do prédio Minhocão e das empresas de ônibus, a Secretaria de Obras da prefeitura mandou funcionários ao local.

Segundo calceteiros da prefeitura, a umidade da região e a chuva prejudicam o asfalto.

- Estamos tratando o terreno, não só tampando os buracos. Fazer a elevagem [tratamento do solo] é fundamental.

Cláudio Dias, fiscal da empresa de ônibus Vila Isabel, conta que os buracos estragam a suspensão e as molas dos coletivos.

- Esses buracos estão aí há mais de um mês e atrapalham muito a circulação dos ônibus, prejudicando seu estado de conservação.

Por conta do trabalho da prefeitura, o terminal passou para a parte externa da Leonel Franca. A previsão é que até o final da tarde de hoje o problema seja solucionado.


(leia a matéria no Portal da PUC) - foto: Lucas Landau

24.7.09

Evento de jazz embala ruas do Leblon

Segunda edição do Leblon Jazz Festival agita a rua Dias Ferreira nesse sábado

Noventa anos do bairro Leblon, 2ª edição do evento, oito horas de show, sete atrações, público esperado de 15 mil pessoas. Esses são alguns números do Leblon Jazz Festival. A atração acontecerá neste sábado, dia 25, na badalada rua Dias Ferreira, no trecho entre as ruas Professor Azevedo Marques e Ataulfo de Paiva, na praça Cazuza.

De 13h às 21h, a rua frequentada pelas celebridades e cenário de famosos restaurantes será fechada ao trânsito. George Israel, ex-aluno de engenharia da PUC-Rio, apesar de ser conhecido pela música pop do Kid Abelha, vai embalar o evento com o blues de seus arranjos. O guitarrista Victor Biglione produz um show com melodias de Tom Jobim. Marcelo Camelo, também ex-aluno da PUC, vai tocar com o grupo Hurtmold e apresentará repertório do seu primeiro CD solo.

Ainda não se sabe se o casal Camelo e Mallu Magalhães irá tocar junto, mas a cantora de 16 anos abrirá o show do namorado. O evento, com um clima intimista, promete juntar um público ligado em música e que não fecha o ouvido para nada, do pop ao jazz.

Programação

14h Mané Sagaz
14h30 Vulgo Quinho e Os Cara
15h Joel Ferreira e Quarteto
15h30 George Israel e os Roncadores (participação especial de Rodrigo Sha)
17h30 Victor Biglione
18h45 Mallu Magalhães
20h Marcelo Camelo

(leia a matéria no Portal da PUC)

21.7.09

Livro sobre o Fluminense relembra os 10 mais

Ex-aluno da PUC-Rio lança livro sobre os dez principais jogadores do clube das Laranjeiras.

A idéia inicial era lançar o livro em maio. Mas a situação do time do Fluminense naquele momento não era das melhores. Então, foi decidido deixar o lançamento para a semana do aniversário do clube, pois, independente da situação, é uma semana de comemoração.

Hoje, 21 de julho, o Fluminense faz 107 anos. E - apesar da situação do time não ter mudado muito de maio para cá - foi lançado ontem, dia 20, na sede do clube, nas Laranjeiras, Os dez mais do Fluminense. Escrito pelo ex-aluno de Comunicação Social da PUC-Rio e tricolor de coração, Roberto Sander e publicado pela Maquinária Editora, o livro contém, em 184 páginas, dez mini-biografias de dez ídolos da máquina tricolor.

Os ídolos foram escolhidos a partir de uma enquete feita com jornalistas, também torcedores das Laranjeiras, como João Máximo, Nelson Rodrigues Filho e Teixeira Heizer. Os eleitos foram: Marcos Carneiro de Mendonça, Romeu Peliciari, Orlando de Pingo de Ouro, Castilho, Pinheiro, Telê Santana, Valdo, Félix, Roberto Rivellino e Assis.

A publicação faz parte da coleção Ídolos Imortais e busca resgatar a história do Fluminense e de seus grandes mestres.

- Estes foram verdadeiros heróis do Fluminense; era outra época, os jogadores ficavam muitos anos no mesmo time. Hoje em dia, eles passam rapidamente e é difícil associar um jogador a um clube – comenta Sander.

(leia a matéria no Portal da PUC)

16.7.09

Harry Potter cresceu, junto com o público e com a bilheteria

Na semana de estréia do sexto filme da série Harry Potter, o Instituto Moreira Salles apresenta mostra sobre o cineasta francês Jean Rouch

De sapato branco, calça caqui, blusa pólo azul, Gabriel encontra o amigo Felipe. Envergonhado, cumprimenta-o um pouco sem jeito. De repente chegam Gabi, João Pedro e José Maurício. A social acontece no foyer do cinema Kinoplex do Shopping Leblon e os amigos não chegam a um metro. São crianças de quatro anos, esperando para entrar na sessão de 16h do novo filme da franquia Harry Potter. Apesar de reclamações como “só tem bebê nisso aqui” feito por uma senhora, esse é o público principal das primeiras sessões do dia. Quanto mais tarde, mais velho é o público. No lugar dos “bebês” entram os adolescentes.

O primeiro filme foi lançado em 2001, essas crianças ainda não tinham nascido, e Daniel Radcliffe tinha apenas 11 anos. Hoje o ator que interpreta o bruxo (e não mais bruxinho) em “Harry Potter e o Enigma do Príncipe” tem 20 anos - com uma fortuna avaliada em £15 milhões - e seu personagem no penúltimo filme da saga tem 16.

E, aos 16 anos, Harry dá seu segundo. beijo. O clima de romance acontece com Gina, interpretada pela atriz britânica Bonnie Wright, de 18 anos. Tudo não passa de um simples beijo, mas para a estudante de 15 anos Laila Hawrylyshyn, já era hora.

- Finalmente eles se beijam!

Outra cena que mostra claramente o crescimento do bruxo é quando Harry é lembrado de fazer a barba. A cena marcou o estudante Rafael Conodit, 18 anos:

- Assisti a todos os filmes, de certa maneira cresci com Harry e como eu cresço é natural que o personagem cresça também. - diz Rafael, com a barba feita.

Após uma sessão, pai e filha saem da sala de exibição comentando sobre o filme. O pai é sincero: “eu não entendi nada”. A filha, achando um absurdo a fala do pai, tenta explicar o filme. Por mais que alguns não tenham entendido, o gerente do cinema Cícero Carlos explica:

- Harry Potter é diferente de qualquer outro filme. Não há um público específico, na verdade são seguidores, de idosos à crianças.

Pouco antes de começar outra sessão, a luz da bomboniere acaba, para o desespero de um grupo de meninas prestes a assistir o filme. “Como assim, como vou assistir meu filme sem pipoca?” – reclama uma delas. O problema é solucionado em alguns minutos e as meninas seguem satisfeitas para a sala com seus baldes de pipoca.

Segundo a atendente da bomboniere Geicyane, que trabalha há 2 anos e meio vendendo pipocas, as férias e o final de semana aumentam o número de pipocas vendidas. Harry Potter não é exclusividade.

A estréia de “Harry Potter e o Enigma do Príncipe” foi adiada por imposição dos produtores americanos. Inicialmente previsto para estrear mundialmente em novembro de 2008, o filme foi adiado para cobrir buracos no calendário de estréias decorrentes da greve dos roteiristas no último ano. Adiar a estréia pode ter sido uma boa estratégia, pois em 12 horas em cartaz, o filme arrebatou U$22,2 milhões, batendo um recorde histórico, segundo a revista “Variety”.

Quem gostou mesmo do filme foi o Vaticano. "L'Osservatore Romano”, o jornal do Vaticano, disse que esse “é o melhor filme da série” e afirma que faz "uma divisão clara entre aqueles que trabalham pelo bem e os que fazem o mal". Porém Bento 16 não é lá muito fã das bruxarias fictícias de J.K. Rowling. Em 2003, o Papa escreveu uma carta às mulheres alemãs dizendo que os livros de Harry Potter contêm “seduções sutis” que podem corromper jovens cristãos. Contudo, a atual boa crítica do cardeal surge depois de, no início do ano, um padre conservador austríaco classificar a série como “satanismo”.

Abençoado pelo Papa, sucesso de público e de crítica, o sexto filme da série tem tudo para estourar as bilheterias ao redor do mundo (a expectativa é que a renda ultrapasse dos U$800 milhões). Antonio Andreasi, 14 anos, confirma:

- Esse é “o” filme do Harry Potter!

Enquanto o blockbuster Harry Potter movimenta milhões e encabeça a lista dos mais assistidos com seus fãs eufóricos, o Instituto Moreira Salles apresenta de 18 de julho a 16 de agosto a retrospectiva completa da obra do cineasta francês Jean Rouch (1917-2004). Rouch é conhecido por ser um dos ícones do documentário moderno e é considerado um “antropólogo-cineasta”.

Silvio Tendler, professor do departamento de Comunicação Social da PUC-Rio e ex-aluno de Rouch, complementa que o cineasta é fundamental na história do cinema e confirma que ele é importante, principalmente pelo número de jovens que incentivou e formou.

Quando o assunto é Harry Potter, comenta:

- Os jovens devem ser contemporâneos deles mesmos. Filmes pipoca geralmente fazem mais sucesso, na década de 60 Rouch não era sensação. Não vejo antagonismo, é possível gostar de Harry Potter e assistir Jean Rouch.

Miguel Pereira, também professor do departamento de Comunicação Social da PUC-Rio, discorda de Tendler. Pereira, que só leu o primeiro livro da série, não se sente atraído por Harry Potter, considera literatura de segunda categoria e filme de péssima qualidade.

- Tem uma magiquinha boba que atrai os jovens. Filmes não são efeitos especiais, seria melhor que esses jovens estivessem lendo Monteiro Lobato ao invés de se fantasiar para assistir Harry Potter.

Um dia de estréia de Harry Potter e um mês da mostra Jean Rouch. Os filmes da retrospectiva serão exibidos em 16mm, formado original de quando foram lançados, e também em cópias digitais. Alguns destaques são “Eu, um negro” (Moi, un noir, 1958), “Jaguar” (1954-67) e Petit à petit (1972). Também serão exibidos 14 filmes sobre o diretor. O Instituto Moreira Salles fica na rua Marquês de São Vicente, 476. Os ingressos são R$6 (R$3 meia) e há o passaporte de R$30 que dá direito a 12 entradas.

Para programação completa e mais informações, acesse: www.ims. com.br

(leia a matéria no Portal da PUC)

15.7.09

É bom mas é ruim

Todo dia ele faz tudo sempre igual. E levanta às 4h da manhã em Bangu, se arruma em meia hora e às 6h50 chega à PUC-Rio. José Carlos de Oliveira, o ascensorista Zé, que trabalha no elevador do prédio Kennedy, fica na sua toca até 13h. Durante as aulas, Zé gosta da fila que fica na porta do elevador. Segundo ele, a adrenalina aumenta, o suor pinga e ele adora a função de subir e descer com todo mundo o mais rápido possível.

Contudo, nas férias a situação muda. Suor é coisa rara, adrenalina muito mais e manejar o elevador torna-se uma função quase solitária. Zé é amigo dos alunos e professores e conversa com todos.

- Nas férias sinto falta das pessoas, de conversar e o tempo passa mais devagar.

A mesma opinião é divida por Julia Danon, 19 anos, que trabalha no atendimento da biblioteca do Frings. Durante as férias a biblioteca fica em silêncio, mais do que ela gostaria. Nas semanas de prova, a anterior às férias, a biblioteca fica lotada, o barulho incomoda e as bibliotecárias precisam pedir silêncio. Isso aumenta o sentimento de solidão durante as férias, pois antes da paz absoluta o movimento é mais acelerado do que o natural. Julia não gosta do abismo entre a movimentação das provas e a calmaria das férias, mas prefere o período de aulas.

Outro lugar acostumado com a movimentação e que fica quase vazio durante as férias é o bandejão. A caixa Rosemari Osório, 38 anos, diz que gosta do movimento, inclusive “para garantir o salário”. Mesmo com a carga horária menor nas férias, o trabalho continua tedioso, principalmente por Rosemari ter uma relação de amizade com os alunos e funcionários.

- Semana passada um professor veio me contar que a filha tinha passado em um concurso de trabalho. Fiquei muito feliz de ele ter vindo compartilhar isso comigo, me senti uma amiga da família.

Rosemari afirma que a essa troca é muito positiva no seu trabalho e é isso que ela mais sente falta nas férias. Ainda segundo a caixa, lidar com o público é delicado, às vezes estressante, mas o saldo é positivo. E a hora passa rápido.

A professora do departamento de psicologia da PUC-Rio, Maria Inês Bittencourt confirma que é natural o conflito entre o tempo de trabalho e o ócio das férias, que dá a sensação de lazer no lugar errado.

- Se fosse lazer eles optariam por ficar em casa, mas como é trabalho acontece uma relação paradoxal entre gostar de não fazer nada e não gostar do ócio.

Uma coisa é certa, todos estão torcendo pela volta às aulas, principalmente Zé, Julia e Rosemari.

(leia a matéria no Portal da PUC)

26.6.09

A Barbie fica, quem passa são as crianças

Rostinho angelical, olhos azuis, cabelos loiros, pele precisamente perfeita, corpo com medidas invejáveis, mente pura, comportamento exemplar. Essa é, por incrível que pareça, a descrição de uma “cinquentona”.

Não há plástica, lipoaspiração, botox ou qualquer creme que faça o que a Barbie conseguiu. Já passaram por ela Camilas, Anas, Claras, Marianas, Julias... Hoje essas primeiras meninas já passam dos 55 anos. E suas filhas e suas netas passaram pela Barbie.

A boneca nasceu em 9 de março de 1959, é filha de Ruth Handles (1916-2002), que apesar de ter falecido em 2002, conseguiu que sua cria seguisse seu caminho de sucesso. Uma homenagem à própria filha Barbara, Ruth lançou a boneca na feira de brinquedos de Nova York.

Nem Ruth nem Barbara poderiam imaginar, mas a bonequinha perfeitinha completou 50 anos. Hoje a Barbie atinge muitos países e já foi a “melhor amiga” de muitas gerações. Conta com uma família, carros, palácios, animais de estimação, amigos, enfim, uma vida – quase – normal. E move uma montanha de dinheiro.

Em geral as bonecas são bastante caras o que impossibilita meninas de baixa renda de terem suas Barbies e por isso já existem as genéricas. Mas, apesar disso, a verdadeira Barbie não sai da cabeça de todas as meninas, não importa a classe social.

Chega uma idade das garotas que as mães dão a elas a boneca, justamente por terem tido (ou sonhado em ter) suas Barbies. Às vezes parte da mãe comprar a boneca para a filha e não do desejo da criança.

Foi e é mais do que um brinquedo. É quase uma referência das infâncias de todos, homens e mulheres. A boneca acompanhou tendências, lançou moda, aderiu às novidades, enfim, caminhou junto com as gerações. Mas sempre sem perder o charme e mantendo o encantamento. Charme e encantamento são, aliás, o segredo para o sucesso da boneca. Certamente a Barbie passará fácil dos 50 anos. Porém sempre com a mesma carinha de menina.

(texto feito em sala para aula de Comunicação e Expressão)

8.6.09

Com um celular na mão e um gato no colo

Cora Rónai (ou Ronái - como dizem) é colunista do jornal O Globo. Sua coluna é publicada toda quinta feira "nas costas" do Segundo Caderno. Cora também é colunista da revista Digital, caderno de tecnologia que sai em toda segunda feira. A atual revista Digital antes era um caderno do jornal, chamado InfoEtc criado pela Cora em 1991. Cora é conhecida pela defesa dos animais (especialmente gatos), do meio-ambiente e do Rio de Janeiro.

A jornalista nasceu em 1953 no Rio de Janeiro. Estudava no Colégio Brasileiro de Almeida em Ipanema (onde hoje é a UniverCidade) e largou o colégio no ano equivalente ao 2º do ensino médio.
-- "Detestava estudar e resolvi viver a vida."

Aos 17 anos fez o conhecido Artigo 99 que nada mais era do que um "pai" do supletivo. Conquistou o certificado de conclusão do clássico (ensino médio) e fez vestibular forçada pela família. Seu pai, Paulo Rónai (importante escritor, tradutor e crítico húngaro) e sua mãe, Nora Tausz Rónai (professora italiana da Faculdade de Arquitetura), não concordavam com a idéia de deixar a filha sem faculdade. Cora foi para Brasília, começou a cursar comunicação social na Universidade de Brasíla, UnB. Porém também largou a faculdade. E afirma:

-- "Sou totalmente contra a obrigatoriedade de diploma para exercer a profissão de jornalismo. Acho que a diversidade das redações ficou muito prejudicada com essa exigência. O jornalismo tem muito de vocação, e há pessoas nas mais diversas profissões que seriam ótimos jornalistas, mesmo porque o bom jornalismo se aprende no fazer. Se é para dar prestígio à profissão, que se aceite qualquer diploma de ensino superior."

Nessa época, aos 18 anos, Cora tocava violino na orquestra do Teatro Nacional, em Brasília, e alguém contou, durante um ensaio, que um jornal estava precisando de fotógrafo. Como gostava mais de fotografar do que de tocar, foi atrás da vaga. Acabou contratada.

Na época escreviam-se legendas longas. Ao ver que Cora tinha habilidade com as palavras, o chefe da redação tirou-a da fotografia e levou-a para a redação. Na redação do Jornal de Brasília, Cora fazia de tudo: internacional, esportes, economia, política, cultura, cartas de leitores e até horóscopo.

Aos 21 anos, em 1974, Cora foi chamada por Evandro Oliveira Bastos para conversar. Oliveira Bastos, como era conhecido, comandava o Correio Braziliense. Extremamente competente, mas muito exigente, era o terror dos repórteres.

Oliveira Bastos convidou-a para editar o caderno de cultura do Correio Braziliense. Ela ficou alguns anos na função, mas não gostava dos seus aspectos burocráticos e pediu para voltar para a reportagem. Aos 25 anos, Cora escrevia para três jornais ao mesmo tempo: tinha uma coluna semanal no Correio Braziliense, escrevia sobre cultura e educação na sucursal da Folha de São Paulo e do Jornal do Brasil.

Em 1980, aos 27 anos, Cora cansou de Brasília e voltou para o Rio, cidade do seu coração.

-- "Aquilo estava um inferno! A vida pessoal bastante problemática e a profissional completamente atarefada. Larguei tudo em Brasília e voltei para o Rio. De onde, aliás, nunca devia ter saído."

De volta ao Rio de Janeiro, continuou escrevendo para o Jornal do Brasil. Após dois anos no JB, o recém chegado chefe de redação Paulo Henrique Amorim resolveu demitir boa parte da redação, pois queria que o jornal fosse feito para as "donas de casa do Irajá". Por questões contratuais, Cora só poderia ser demitida em fevereiro do ano seguinte e Paulo Henrique Amorim havia chegado em julho do ano anterior. Então o chefe de redação deu à Cora a ridícula seção "Dona Laura vai às compras" onde a jornalista tinha que pesquisar o preço dos mesmos produtos em diversos supermercados.

-- "Ele fez aquilo só para que eu pedisse demissão, mas eu não quis dar o gostinho e fiquei no jornal até fevereiro. Assim, quando o JB me demitiu, consegui receber FGTS e tudo mais. Mas me lembro que de julho a fevereiro chegava em casa todos os dias aos prantos..."

Ao sair do JB, Cora foi chamada por amigos do teatro para escrever peças. Entre esses amigos estavam Débora Bloch, Andréa Beltrão, Antonio Grassi, Claudio Baltar. Durante três anos escreveu peças de teatro. Esses foram os anos em que mais ganhou dinheiro. Dez por cento da bilheteria vão para o autor e, por sorte, todas as peças que escreveu fizeram sucesso.

A volta para o jornalismo aconteceu quando a professora Flora Sussekind escreveu um artigo no JB criticando Cora e Grassi por trabalharem para um empresário de espetáculos populares. Indignada, Cora pediu ao seu amigo, e então editor do Caderno B, Zuenir Ventura, o direito de resposta. Zuenir deu-lhe uma página inteira. Cora escreveu e Zuenir chamou-a para voltar ao JB.

Nessa época Paulo Henrique Amorim já havia sido demitido de sua curta temporada no JB, após uma intervenção do dono do jornal, Nascimento Brito. Foi assim que com 32 anos, a pedido de Zuenir, Cora assumiu a coluna de crítica de TV. Assistia aos programas e fazia crítica, mais ou menos como se faz com filmes.

-- "O JB era totalmente independente em relação à Globo e às outras emissoras, portanto a gente podia fazer críticas mordazes. A coluna funcionou muito bem. Anos depois, quando eu já estava no Globo, ainda encontrava gente que se lembrava de uma ou outra coisa que eu havia escrito."

Depois de dois anos escrevendo crítica de TV, Cora teve seu primeiro contato com tecnologia. Quando em 1987, aos 34 anos, sua máquina de escrever de mil dólares quebrou, o amiigo Luiz Gravatá sugeriu que Cora comprasse um computador. Instrumento novo na época, poucos sabiam do que se tratava - inclusive a Cora - mas ela resolveu acatar a sugestão e comprou a máquina. Acabou saindo por U$2.200, mas ela não se arrependeu. Apesar das dívidas que contraiu ao comprar o "brinquedo", Cora ficou encantada em poder recortar os textos e editar sem dificuldade, coisa que não fazia na máquina de escrever. E ficou fascinada em poder jogar xadrez.

Com seu novo computador, suas novas dívidas e seu interesse cada vez maior por tecnologia, Cora propôs ao então chefe de redação do Jornal do Brasil, Marcos Sá Corrêa, uma coluna sobre informática. No início, o jornalista considerou o assunto chato e achou que não tinha mercado no Rio, mas acabou cedendo diante de sua insistencia. E em 1987, no Jornal do Brasil, foi criada a primeira coluna de informática da imprensa brasileira. Cora deixou a crítica televisiva e foi para a tecnologia.

Alguns anos depois, a colunista propôs ao JB um caderno de informática, mas o jornal nunca se interessou. Pelos mesmos motivos de sempre: suposta falta de mercado e de público. Cora brinca:

-- "É complicado ser precursor!"

Foi então que em 1991, a convite de Evandro Carlos de Andrade, diretor do jornal O Globo, Cora criou o primeiro caderno de informática do Brasil: o Informática etc. O Globo naquela época era um jornal muito pouco lido pelo público da Zona Sul; Cora exemplifica:

-- "Chico Caruso foi para o Globo antes de todos nós. Quando nos encontrávamos no final de semana ele levava os recortes das charges que publicava durante a semana para os amigos verem."

Cora topou ir para o Globo pela proposta do caderno de informática (a propósito, ela havia feito esse projeto de caderno e apresentado para o JB e eles não toparam) e pelo bom salário que o Globo pagava. Evandro Carlos de Andrade foi um dos responsáveis pela virada de mercado (e público) do jornal na década de 90 e essa virada veio com contratações de nomes como Arthur Xexéo, Joaquim Ferreira dos Santos, Arthur Dapieve e, entre outros, Cora Rónai.

A jornalista foi editora do Informática etc. de 1991 até 2007, quando sofreu um acidente e teve de passar um ano afastada da redação. Quando o caderno foi transformado em revista (um pleito antigo de Cora) e passou a se chamar Revista Digital, o então sub-editor Nelson Vasconcelos assumiu a editoria. A jornalista mantém sua coluna na Digital até hoje.

Cora chegou a fazer parte do grupo de críticos de cinema d'O Globo, o famoso Bonequinho Aplaude, a pedido do atual editor do jornal Rodolfo Fernandes, mas o horário das cabines de cinema para os jornalistas é muito cedo para a "coruja":

-- "Nem me passa pela cabeça ir ao cinema às 10h30! Sou da noite, vou dormir de manhã e acordo de tarde. Por isso, infelizmente, não tenho mais feito crítica de filmes."

Em 2001 Rodolfo também propôs uma coluna no Segundo Caderno e Cora adorou a idéia. Hoje a coluna do Segundo Caderno das quintas feiras é uma das com maior repercussão de público. Cora foi a primeira jornalista brasileira a criar um blog, o InternEtc, ativo desde 2001, que hoje recebe cerca de mil visitas diárias. Em 2006 publicou o livro "Fala Foto" (finalista do prêmio Jabuti), reunião de 5 anos de fotos só com celular. Expôs tais fotos em uma galeria carioca e algumas dessas fotos foram selecionadas para a coleção Pirelli-Masp.

Sentada no sofá de seu apartamento de frente para a Lagoa, rodeada por três gatos, outros dois gatos correndo pela sala, Cora falou de seu passado e seu presente. Do futuro ela não sabe e não quer nem saber. O que ela sabe é que vai continuar escrevendo, fotografando e vivendo a vida tecnologicamente no jornalismo.

19.5.09

101 dias no cenário de “Mil e uma noites”

Íntima e humana são duas visões que não se apropriam a uma guerra. Porém a jornalista norueguesa Asne Seierstad cria uma perspectiva única a partir de depoimentos de iraquianos durante a guerra do Iraque. Sua proximidade com personagens reais de uma guerra permitiu que ela escrevesse uma crônica reveladora sobre o cotidiano de um dos maiores conflitos do século XXI. Em “101 dias em Bagdá” (editora Record; 386 páginas; 2006) o leitor entra em contato com famílias que foram afetadas pela guerra.

Asne é autora do sucesso “O Livreiro de Cabul”. Nasceu em Oslo, em 1970. Atua como correspondente de guerra desde 1994, cobriu alguns confrontos importantes, o que lhe rendeu prêmios, como por exemplo, o Grande Prêmio Norueguês de Jornalismo, em 2003. Cobriu também a invasão do Afeganistão e a Guerra do Iraque em 2003, de onde saiu “101 dias em Bagdá”.

O livro leva o leitor para uma vida sob a iminência de ataques - primeiro do governo ditatorial iraquiano, depois dos bombardeios norte-americanos. A autora esteve em Bagdá entre os meses de janeiro e abril de 2003, antes e depois do conflito na ditadura de Saddam Hussein. Antes, a população evitou entrevistas com medo da repressão do governo. Depois, com os bombardeios, veio o medo.

Asne não se aprofunda nos temas políticos em sua obra, os depoimentos do livro demonstram o choque do conflito no dia-a-dia dos iraquianos, a discussão política ela deixa para os jornais, o livro é apenas uma crônica de sua experiência. Experiência essa que teve importante influência de três personagens: Aliya, a intérprete e amiga; Zahra, uma mulher que teve três filhos; Uday al-Tay, um ineficiente homem que era responsável por jornalistas internacionais. Esses personagens e outros tantos que Asne encontrou contaram histórias que nunca foram divulgadas a qualquer outro repórter.

É interessante analisar um desses personagens. Aliya foi selecionada pelo governo de Hussein para acompanhar a jornalista em Bagdá (poucos dias antes da invasão americana). Asne sempre questionava o comportamento de Aliya perante as instruções determinadas pelo antigo regime, porém a compreendeu após saber da forma como eram penalizados os que desobedeciam às ordens de Saddam.

No entanto, Aliya, como todos os outros iraquianos, havia sofrido uma lavagem cerebral feita pelo governo, que fazia com que eles não conseguissem analisar o certo e o errado. O resultado dessa lavagem foi a educação que a população teve de não questionar nada e quando - raramente - questionava, sabia que não era permitido falar.

Asne descreve com precisão e habilidade de romancista os cenários e situações que viveu. Como, por exemplo, a sua chegada em Bagdá. Ela escreve da seguinte forma: “A primeira coisa que vi foi a luz. Penetrou-me pelas pálpebras, abriu caminho pelo sono com carícias e deslizou até o sonho. Não era como a luz da manhã que eu costumava ver, não era branca e fresca, mas sim dourada. Com os olhos entreabertos em frente a uma janela com grandes cortinas de tule, entrevejo as poltronas estampadas, uma mesa bamba, um espelho e um armário. Há um esboço mal pintado na parede de um bazar no qual sombras de mulheres com grandes xales pretos deslizam pelas ruelas lúgubres. Estou em Bagdá!”.

Silêncio, medo, pânico, apreensão foram sentimentos vivenciados diversas vezes pela autora. Destruição foi o cenário mais comum. A falta de serviços essenciais como, por exemplo, água, alimento, energia elétrica e comunicação foram obstáculos ultrapassados por Asne. A jornalista teve também que se proteger dos bombardeios americanos que descreve no livro. Criou habilidades próprias para apurar e obter informações para seus registros jornalísticos e suas matérias.

Com dedicação e determinação de correspondente internacional, driblou a segurança de Saddam Hussein para conseguir desempenhar seu trabalho. E o leitor tem a sorte de conhecer essa história por completo no conforto de sua casa, apenas instigando-se com as aventuras de Asne Seierstad e seus inesquecíveis dias em Bagdá.

(resenha para a aula de Introdução ao Jornalismo)

5.5.09

Jornalismo por dívidas abaixo...

James Leynse/Corbis/Latin Stock
Sede do jornal no centro de Nova York


Muito interessante a matéria da Veja da semana passada (capa: "Puxe para se livrar deles"), assinada por André Petry, de NY, sobre a atual situação do jornalão americano New York Times: Inferno na torre do Times.

Completamente endividado, sem saber que rumo tomar, vendo a Internet como rival, assistindo a decadência dos jornais nos EUA, recebendo empréstimo do mexicano Carlos Slim, o NYT está sufocado.

E o pior é ver que a população não responde como deveria. Uma pesquisa mostra que 42% sentiria "pouco" ou "nada" se o jornal fechasse. E esse parece o destino mais provável da Bíblia do jornalismo mundial.

Milão, New York Times, São Paulo: Lalo de Almeida


Estava no site do New York Times e encontrei uma matéria sobre os canteiros de Burle Marx, aqui no Rio. As fotos são de Lalo de Almeida. Fui atrás dele na internet.
Lalo estudou fotografia em Milão, Itália, já trabalhou n'O Estado de São Paulo, Veja e está há dez anos trabalhando na Folha de São Paulo (onde mais?!).

Suas fotos são muito bonitas, as de fotojornalismo especialmente. Mais um site que vale a visita.

4.5.09

Francês na favela


Uma das atividades artísticas do ano da França no Brasil é o trabalho do fotógrafo francês JR, que está colocando fotos na favela da Providência, no Rio.
Eles colou painíes com foto feitas por ele de mulheres que perderam seus filhos em guerras urbanas com a polícia carioca. JR colocou também suas fotos em escadarias do centro e nos Arcos da Lapa.
As fotos dele já são lindas e as fotos das fotos são mais lindas ainda. Vale a pena entrar no site do fotógrafo e ver o portfólio.

16.4.09

A arte de ser um bom contador de histórias

"Os leitores gostam de ler histórias", é o que prega Ricardo Noblat em seu livro “A Arte de Fazer um Jornal Diário”, da editora Contexto. Pois é esse o maior prazer de ler o livro de Noblat, conhecer as histórias de 35 anos de carreira jornalística do atual colunista do jornal O Globo. Com memória aguda, Noblat cita bons momentos de sua trajetória e ensina aos futuros jornalistas, de forma didática, a arte de fazer um jornal diário de fato.

No entanto, logo no início do livro o autor prevê um futuro infeliz ao jornal impresso. Destaca que os leitores, principalmente os jovens - os leitores do futuro - preferem a dinâmica da Internet, com fatos publicados quase instantaneamente, ao jornal impresso do dia seguinte com notícias atrasadas. Em seguida Noblat dá sugestões de como melhorar a atual situação.

O jornalista defende o jornal que se propõe a informar a população e não como um negócio visando apenas os fins lucrativos. Defende também o faro jornalístico, a apuração das notícias, distinguir o que é ou não notícia e conta, usando experiências próprias, casos de uma redação.
O livro apresenta um excelente manual para produzir um bom texto jornalístico. Cita autores como Gabriel García Márquez, Vinícius de Moraes e Graciliano Ramos. Seus principais ensinamentos são de como fazer um texto conciso, cortar palavras, não usar chavões, ser direto e claro. Um prato cheio para os calouros.

Por outro lado, o autor trata a reforma do Correio Braziliense como um fato exemplar e transforma esse fato em um capítulo inteiro. Fatos não tão interessantes são apresentados pelo jornalista que estava no jornal na época da reforma. Há também as opiniões de Noblat que se tornam fatos. Quando se acredita em um fato não quer dizer que esse fato realmente aconteceu, são opiniões pessoais e devem ser tratadas como tal.

O ex-diretor de redação do Correio Braziliense questiona o lead (ou lide), o primeiro parágrafo de toda matéria que responde as seis perguntas básicas: quem, onde, como, o que, por que e quando. O autor informa que o lead morreu, apesar das redações ainda o usarem em seus jornais. Afirma que toda e qualquer matéria deve começar com uma frase que cative o leitor, não necessariamente com todas as informações contidas no lead. Se o leitor se sentir seduzido pelo início do texto ele irá com certeza até o final.

Noblat dá dicas que podem parecer um tanto óbvias, como, por exemplo, usar a criatividade e ser objetivo. Por mais que pareça óbvio é necessário que se firme certos ensinamentos. E o jornalista faz questão de repetir seguidas vezes no livro suas dicas mais valiosas.

Em todo momento de sua obra, Ricardo Noblat esbanja exibicionismo. Cita que tudo que fez, produziu, planejou ou propôs teve efeito positivo e foi um sucesso. Realmente, Noblat é um dos mais importantes jornalistas da atualidade, mas não há necessidade de expor sua vaidade a todo o momento. Com certeza terão jovens universitários encantados com o autor ao terminarem o livro. E é essa a intenção.

Resta ao bom estudante, ficar atento ao texto, à personalidade do autor. Não se deixar levar pela carreira de sucesso do jornalista e aprender a questionar certos fatos, que é, na base, uma das tarefas que o livro ensina. Afinal, por que Noblat pediu demissão da redação do Correio Braziliense após tantos sucessos no jornal? Sem pretensão de qualquer acusação, há de se ter mais uma boa história atrás disso, mas esta, é lógico, não está descrita no livro.

Em “A Arte de Fazer um Jornal Diário”, Ricardo Noblat confirma que é um dos jornalistas mais importantes do Brasil, não só pela experiência de sua carreia, mas por contar muito bem suas histórias (pessoais e suas reportagens). Contudo, o leitor deve saber separar os pontos positivos e negativos da obra. A conclusão é que o livro é leitura obrigatória a todo estudante de jornalismo. Pois Noblat aposta nos jornalistas do futuro para salvar as redações do passado.


*(essa resenha foi um trabalho proposto pelo professor de jornalismo)

Photos around the world

Foto: Karen Ballard


Estava viajando pela Internet e encontrei o site de uma fotógrafa muito boa: Karen Ballard. Ela fotografou quatro filmes (o último 007 inclusive), foi para a Índia, Iraque, Afeganistão e China entre outros países. Os retratos de políticos são muito bons. Ela tem um olhar muito interessante, porque não fica só no fotojornalismo pura e simplesmente. Ela busca uma plasticidade, cores, composições próprias muito boas.

Vale a pena dar um olhada!

5.4.09

Foto por dentro das ondas

Um surfista americano resolveu fotografar por dentro das ondas. Veja a matéria e mais fotos lindas aqui.

4.4.09

Linguagem dos jovens: palavrão!

Conversa ouvida sexta, num daqueles quiosques na porta da PUC. Fala o vendedor, um senhor de uns 65 anos, com uma cara bem abatida, magrinho, cabelo grisalho, nariz grande, rosto cheio de rugas:

-- Não entendo essa nova geração. Falam palavrões demais.

A interlocutora é uma jovem estudante do primeiro período de comunicação social:

-- É mesmo, o palavrão já faz parte da linguagem dos jovens. É foda!

29.3.09

Lead

Em 2000 Janken Ferraz Evangelista foi desligado do time São Paulo por falta de "evolução técnica". Após nove anos Janken, 29 anos, não conseguiu driblar a polícia. O ex-jogador foi preso no último dia 25 após uma denúncia anônima, em Teixeira Freitas, BA, acusado de assassinar a ex-mulher Ana Cláudia Melo da Silva, 18 anos, a facadas no dia 22 em São Paulo, e em seguida raptar o filho do casal de um ano e oito meses. "Ele tinha muito ciúme da vítima e obsessão pelo filho", declarou o delegado José Eduardo Vieira Pinto.

(trabalho de Introdução do Jornalismo: fazer um lead sobre esse fato)

28.3.09

O dia que matei Lenivaldo no Pires

Era uma sexta feira normal, como qualquer outra. Não era 13. Era 27. Duas semanas depois da 13. Fui para faculdade, cheguei na hora da aula. Subi no primeiro andar, olhei pela faixa transparente da porta. Lá estava ele. No escuro, com o projetor ligado. Todos atentos. Pensei, "essa é a melhor hora para matar Lenivaldo".

Desci as escadas cuidadosamente, cruzei o pilotis, passei pela vila, pelo CACOS, sai pela porta lateral da faculdade. Assim que saí dei de cara com os meus comparsas. Eles fizeram sinal do outro lado da rua, atravessei com cuidado e me encontrei com eles. Todos os assassinos juntos, reunidos.

Durante duas horas matamos o Lenivaldo. Também, com esse nome, pudera. Foram duas horas de massacre, de assassinato, de felicidade mórbida. E, confesso, algum peso na consciência. Bebemos o defunto. Inteiro, todo. De gole em gole, de copo em copo, de garrafa em garrafa. Não sobrara nada de Lenivaldo às 17h da tarde dessa sexta feira, após 10 garrafas de cerveja.

O culpado do crime? Pires. O poder de persuasão de Pires é incrível. E ele não faz muito. Pode-se dizer que ele tem fama e ela faz a cabeça dos assassinos. Ele é o culpado, sem dúvida. E Pires é visto apenas como bonzinho. Nunca ninguém irá desconfiar dele. Nunca.

Após o crime, alguns assassinos foram embora, outros voltaram para a faculdade. Quando cheguei no pilotis, conversei com um indivíduo que estava com Lenivaldo na hora do assassinato. Ele sabia o que eu tinha feito. Minhas mãos, praticamente com a arma do crime, me indiciavam. Durante a conversa soube que Lenivaldo desconfiou de nós, assassinos. Disse coisas importantes antes do assassinato, coisas que nunca mais saberemos, que foram enterradas com ele.

E o pior de tudo. Ao final da conversa recebi o recado: "Lenivaldo voltará, se prepara porque ele sempre volta, você querendo ou não". Hoje me arrependo. Hoje tenho noção do que fiz. Porque amanhã, quando tiver o purGatório1 (G1) e o purGatório2 (G2), tenho certeza que não serei absolvido.

19.3.09

Nem Pepita tem mais Dado em casa!



O que há de mais tosco nessa história toda do Dado Dolabella? Uma entrevista com a mãe dele, Pepita Rodriguez, pro blog do Ancelmo. Analisando com calma essa entrevista...

"Pepita Rodriguez (...) não para de chorar e rezar desde que o filho foi preso, ontem."
Noooossa, quanto tempo a coitadinha da Pepitinha está chorando (e rezando) pelo filho!

"
Diz que se agarrou em Deus(...)"
Tá certo, Pepita, siga os passos de seu filho.

"(...)já que quando ele entrou no camarote da Brahma, no carnaval, Luana Piovani ainda não estava lá."
Mentira. Mentira das boas. Burrice Pepitinha falar isso. A imprensa inteira estava lá, inclusive eu, e Dado chegou -- bem -- depois da ex.

"foi apenas uma 'inconsequência de um menino ingênuo'"
Ó, tadinho do Dadinho! Mas Pepita tem razão, só mesmo um menino ingênuo vai cheirar cocaína no banheiro do camarote no carnaval.

"Estou em frangalhos."
Essa expressão é de mil oitocentos e suspensório, né Pepita?

"(...)prender o meu filho numa cadeia"
Não, devem prender ele no zoológico!

"É um acúmulo de maldades que vão rotulando o meu menino."
Rotulando? Desde quando Dado precisa de rótulo? Dado é um rótulo.

"O meu filho é adorado por tanta gente."
Aaaah, então isso é motivo para não prender o menino de Pepita.

"Os atores da Record, emissora que ele acaba de assinar um novo contrato, o adoram."
Não é isso que diz o terceiro parágrafo dessa matéria d'O Globo.

"A revolta por tudo isso estar acontecendo é enorme."
Revolta de quem? Quando? Onde? Dá um tempo, Pepitinha do meu coração.

"Os dois estavam felicíssimos juntos. Não dá para acreditar."
Pepita, será que se eu te contar que o seu filhinho espancou a camareira da Luana você passa a acreditar?

"Eu tinha a esperança, confesso, de a Luana desistir desse processo."
Como quem diz: "Luana, por favor, desista desse processo!!!"

"Nós estamos destruídos."
Se agarra em Deus, Pepita, não se esqueça Dele!

"Peço a Deus que proteja essa desembargadora, Giselda Leitão, que eu sei que tem uma carreira muito bonita, um histórico maravilhoso."
Meu Deus, que cara de pau sua, Pepitinha, puxar tanto o saco da desembargadora -- que deu o azar de pegar esse caso.

"(...)para quem ele vai entregar o seu coraçãozinho."
Que cuti cuti! Me sensibilizei agora...

"Eu só gostaria que nenhuma mãe passasse por esse momento que estou passando."
E você ainda acha que alguma mulher no planeta gostaria de ser mãe do Dado?!

"Ele não fez nada(...)"
Pergunta lá pra camareira da Luana se ele não fez nada...

"(...)que seus filhos pudessem encontrar pessoas maravilhosas como as que o Dado está encontrando. Até os presos ficaram do lado dele."
Uau! Quer dizer então que as pessoas maravilhosas que dividem cela com seu filhinho estão do lado dele? Será que não estão por trás dele, Pepita querida? Se é que você me entende.

"E (os presos) fizeram comida especial para ele."
Pára tudo. Pára! Entra musiquinha sentimental a lá programa do Luciano Huck. Essa frase foi maravilhosa para encerrar a entrevista. Estou emocionado.

Lágrimas escorrem dos meus olhos.

De tanto rir, lógico.

17.3.09

Frioterapia, crioterapia, Ronaldo, vodka...

Peguei um ônibus no Leblon, sentei nas últimas cadeiras, lá no final. Na minha frente duas mulheres conversavam. O ônibus praticamente vazio e elas estavam falando alto. O assunto? "Frioterapia", disse uma das mulheres. Ela quis dizer -- só vim descobrir isso agora com a ajuda do tio Gúgou -- crioterapia. É uma terapia a base do frio (tanto um simples gelinho quanto uma imersão ao frio). O papo começou...

- Menina, você ia adorar uma coisa que li em na revista: frioterapia. A pessoa entra numa sala com 110ºC negativos!
- Ai, que ótimo, eu ia adorar!
- Mas é pra coisa de medicina.
- Como é que é?
- Você entra primeiro numa sala com 60ºC negativos. É obrigado a usar meia, luva e cotoveleira, porque se você cair você não se machuca.
- Aham...
- Aí você entra nessa sala de 60ºC negativos pra se acostumar e depois entra em outra de 110ºC.
- Nossa! Que contraste!
- Nããão, é 110ºC negativos também, não é do frio pro calor, né?!
- Ah tá.
- Aí você entra na sala e tem o acompanhamento de uma fisioterapeuta.
- Sem roupa também?
- Não, claro que não. Ela é médica, fica toda vestida, com casacos enormes.
- É porque ela deve entrar e sair toda hora da sala, né.
- É. Ela fica ajudando as pessoas lá dentro. Dizem que o frio faz bem pro músculo, pra celulite e pra ruga! Faz a pele ficar lisinha, deve ser ótimo!
- Ai menina, tô precisando.
- Mas é muito caro! Eu li que é 4.500 libras!
- Nossa!! Dá quanto mais ou menos?
- Ah, uns 3mil euros deve ser...
- É... deve ser...
- Sabia que o Ronaldo fez essa frioterapia aí também?
- Ah é?
- É! Com aquele joelho bichado... Já tentou operar, fazer exercício, agora só resta o gelo né...
- Verdade...
- Mas é bem capaz dele pegar um gelinho lá da sala e colocar num copinho com vodka e ficar tomando todas lá dentro!

As duas deram uma gargalhada e saíram juntas no mesmo ponto no Jardim Botânico. Eu fiquei sem entender muito dessa história de frioterapia e fiquei com isso na cabeça para checar na Internet. Agora já aprendi o que é crioterapia e que o Ronaldo está fazendo esse tratamento.

Tá vendo como tem cultura pura num papo de ônibus?